Maio 21, 2024

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Onde a Vale brasileira coloca seus desafios tecnológicos?

Onde a Vale brasileira coloca seus desafios tecnológicos?

A descarbonização, a modernização de barragens de rejeitos, a segurança, a eficiência da mineração e a redução de custos em toda a extensa cadeia de valor da indústria destacam-se como foco principal das iniciativas digitais e tecnológicas da mineradora brasileira Vale.

A estratégia da empresa para estes investimentos varia desde acordos e parcerias estabelecidas com grandes players industriais como Telefónica, Nokia, Siemens e Schneider Electric até, mais recentemente, participações diretas em startups através de capital de risco.

Em 2023, o veículo Vale Ventures investiu 95 milhões de reais (US$ 19 milhões) para comprar participações minoritárias em startups, segundo registros da empresa.

“A missão da empresa é adquirir participações minoritárias em startups focadas em iniciativas de descarbonização na cadeia de valor da mineração, mineração com desperdício zero, metais de transição energética e outras tecnologias”, afirma Vale.

Os investimentos do ano passado incluíram a startup de biotecnologia Alonia e a Boston Electrometallurgical Company, cujo objetivo é desenvolver tecnologia focada na descarbonização do aço.

E em 2023, a Vale Ventures destinou mais 13 milhões de rais para fundos de capital de risco representados pela Evok Fund II Limited Partnership e Cathay Innovation Global Fund III.

A Vale Ventures foi constituída em junho de 2022 com meta inicial de investir cerca de 490 milhões de rais em empreendimentos de mineração sustentáveis.

No campo da coinovação, a Vale é uma das integrantes da iniciativa Global Mining Hub, que reúne 24 mineradoras, 700 startups e 15 grandes fornecedores em 22 países.

O centro teria trabalhado em 90 conceitos e fechado 20 negócios entre mineradoras e startups.

Gestão de barragens

A mineradora, uma das maiores produtoras mundiais de minério de ferro, também está desenvolvendo tecnologias para ajudar a reabilitar diversas barragens de rejeitos que incluem soluções de mitigação e controle de riscos.

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Após os desastres de Mariana e Brumadino, Vail descomissionou muitas de suas barragens devido à pressão dos governos, decisões judiciais e partes interessadas.

“Pretendemos nos tornar uma empresa de fatalidade zero, desenvolvendo padrões e processos para riscos de saúde, segurança, ambientais e operacionais, melhorando a gestão de segurança e danos, priorizando tecnologia de redução de riscos, melhorando os controles e promovendo a inovação”, afirma Vale.

O programa de remoção de barragens a montante da Vale inclui 30 estruturas, 13 das quais foram fechadas entre 2019 e 2023.

Mineração fixa

Outro grande foco da empresa é o desenvolvimento de soluções de baixo carbono, principalmente por meio de inovação tecnológica e processos de “mineração circular”.

A empresa possui um centro de inteligência artificial que monitora a segurança e estabilidade de suas operações.

Todas as suas principais decisões são apoiadas por sistemas de inteligência artificial, afirma a Vale. A empresa disse que depende do centro para envolver menos pessoas em operações arriscadas, ganhar agilidade e melhorar a produtividade.

A gigante do minério de ferro tem acordo com a Telefónica Brasil e a Nokia para instalar redes 4G dedicadas a partir de 2019, com possibilidade de atualização para 5G em alguns de seus principais locais.

O plano de conectividade estabelece as bases para a automação das operações da Vale e a utilização de veículos autônomos.

“O projeto da Vale em particular é muito complexo, é um dos maiores do mundo porque inclui minas, portos e ferrovias. São três cadeias em uma”, disse Márcio Nicolay, chefe da Nokia Enterprise Verticals, ao BNamericas no ano passado.

No ano passado, a empresa inaugurou um centro de gestão de excelência em Belém, capital do Pará, incluindo operação remota de equipamentos e monitoramento de sua rede de telecomunicações.

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A maior parte dos veículos autônomos movidos pela rede privada de Vail está concentrada em Garajas, no Pará.

O Centro de Belém conta com a IBM Consultoria e Tecnologia para capacitar o BPO com inteligência artificial, hipertecnologia e automação baseadas em nuvem da IBM.

A Vale opera 20 máquinas autônomas em seu campus de Carajás, incluindo 14 caminhões e seis treinadores, utilizando 4G. Possui mais 13 caminhões e 13 perfuratrizes em seu sistema Sudeste, que inclui operações nos estados de Mariana, Itabira e Minas Centris.

Desenvolvimento interno e licenciamento

O desenvolvimento interno da mineradora ocorre principalmente no Instituto Tecnológico Vale (ITV). Esta unidade concentra-se em P&D e ciência e tecnologia para mineração.

A empresa também licencia para o mercado algumas soluções desenvolvidas no ITV.

Estes incluem sapatas flexíveis, hastes de perfuração, veículos para colocação de explosivos, dispositivos para carregamento de graneleiros, dispositivos robóticos para inspeção de transportadores de correia e dispositivos para medição on-line de campos magnéticos em plantas de minério de ferro.

Investimentos

De acordo com o último relatório financeiro da empresa, a Vale investiu US$ 5,92 bilhões em 2023, ante US$ 5,45 bilhões no ano anterior e US$ 2,12 bilhões no quarto trimestre.

No total do quarto trimestre, os investimentos em operações duráveis ​​foram de US$ 1,64 bilhão. Destes, 664 milhões de dólares foram destinados a itens de conversão de energia, incluindo gestão de barragens, tecnologia e inovação, equipamentos de mineração e investimentos para a frota de mineração.