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Análise – Usinas brasileiras aumentam capacidade de açúcar, ‘deixando’ etanol para processadores de milho

Análise – Usinas brasileiras aumentam capacidade de açúcar, ‘deixando’ etanol para processadores de milho

Por Marcelo Teixeira

NOVA YORK (Reuters) – As usinas de cana-de-açúcar do Brasil aumentarão a capacidade de produção de açúcar em 10% na nova temporada a partir de abril, aproveitando os preços relativamente altos do açúcar e o aumento da oferta de milho, tornando o grão uma matéria-prima mais barata para a produção de etanol.

O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar. Foi responsável por quase 50% do comércio global de açúcar no ano passado, uma vez que a produção e as exportações dos rivais Índia e Tailândia caíram devido às condições climáticas do El Niño.

Os preços do açúcar caíram do máximo de 12 anos em Novembro, mas ainda estão historicamente elevados. As usinas brasileiras estão correndo para expandir ou concluir novas fábricas para aumentar sua capacidade de produção de açúcar, disseram analistas.

“Toda usina que pode fazer isso (aumentar a capacidade de açúcar), faz”, disse Julio Maria Borges, diretor e sócio da consultoria JOB Economia e Planejamento.

“A diferença de retorno financeiro entre açúcar e etanol é enorme.”

Os preços do açúcar estão atualmente 60% mais altos do que os preços do etanol no Brasil, disse a corretora e prestadora de serviços da cadeia de suprimentos Czarnikow em um relatório esta semana. Esta é a maior diferença de preço dos últimos 15 anos.

Alguns dos maiores investimentos em açúcar incluem a fábrica de Jules Machado de 170 milhões de reais (US$ 34,19 milhões) no estado de Minas Gerais, a fábrica de 289 milhões de reais da Serratinho Bionergia em Mato Grosso do Sul e a linha de produção de açúcar fresco de 200 milhões de reais da Corurip em Minas Gerais.

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A francesa Terios, que possui sete fábricas no Brasil, planeja destinar 70% de sua cana à produção de açúcar e 30% à produção de etanol. Este é um impulso em relação ao já elevado valor da época passada, de 67%.

Muitas outras usinas fizeram pequenas alterações e melhoraram as instalações açucareiras. A alocação de cana para a produção de açúcar – e longe da produção de etanol – em todo o Brasil no ano passado foi 49% maior do que em 12 anos. A maioria dos analistas espera que este seja um recorde na nova temporada.

Golpe climático

Apesar do aumento da capacidade de produção de açúcar, é improvável que o Brasil produza mais adoçantes na nova temporada do que em 2023/24.

“Tínhamos um clima de laboratório (no dia 23/24), perfeito”, disse Borges.

“Boas chuvas na hora certa, depois secas para a colheita. Não vemos isso agora.”

Por exemplo, de acordo com a modelagem climática do GFS, a precipitação geral na principal região açucareira do Brasil, Ribeirão Preto, este ano está 50% abaixo do normal.

Terios espera que a produção de cana do Centro-Sul (CS) do Brasil caia de 660 milhões de toneladas em 2023/24 para menos de 600 milhões de toneladas em 2024/25.

A corretora StoneX ainda prevê a produção de açúcar da nova temporada em 43 milhões de toneladas, dizendo que um aumento na alocação de cana para a produção de açúcar compensará os volumes menores de cana ao custo do etanol.

Etanol de milho

A StoneX estima que a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar diminuirá quase 3 mil milhões de litros, ou 10,4%, para 24,5 mil milhões de litros em 2024/25. A produção de etanol à base de milho, por outro lado, aumentará 16%, para 7,2 bilhões de litros, disse.

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“Há uma mudança na indústria”, disse Filippi Cardoso, analista de açúcar e etanol da StoneX. “O etanol de milho é mais econômico, então as usinas de cana-de-açúcar estão migrando para o açúcar.”

A produção de milho expandiu-se rapidamente em todo o Brasil, que no ano passado se tornou o maior exportador mundial de milho. Também incentivou a expansão da produção de etanol à base de milho. Geralmente, o etanol no Brasil é produzido a partir da cana-de-açúcar e não do etanol.

“A produção brasileira de etanol de milho era inferior a 1 bilhão de litros há cinco anos, e esta safra deverá atingir 5 bilhões de litros e 10 bilhões nos próximos 5 a 6 anos”, disseram analistas do Citi.

O Brasil é um dos maiores consumidores mundiais de etanol como combustível para transporte. Os biocombustíveis serão responsáveis ​​por 46% do uso de combustível para veículos leves no Brasil em 2023, ou 28,5 bilhões de litros.

No entanto, a rápida expansão da produção de etanol de milho reduziu os preços dos biocombustíveis no Brasil, outro factor que incentivou as usinas de açúcar a concentrarem-se no açúcar.

(Reportagem de Marcelo Teixeira; edição de Simon Webb e Chisu Nomiyama)