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Unindo Mercados: Uma Parceria Halal Próspera Brasil-CCG |  Entrada de Salaam

Unindo Mercados: Uma Parceria Halal Próspera Brasil-CCG | Entrada de Salaam

O orgulho pela produção, pelos investimentos e pela capacidade do Brasil de fornecer produtos halal de “alta qualidade” fez parte de uma declaração do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura do 2º Fórum Global Halal Brasil, em São Paulo, em outubro. , Brasil.

Lula destacou que só em 2022 o Brasil exportará US$ 17,74 bilhões em mercadorias para países da Liga Árabe, com saldo comercial de US$ 32,7 bilhões. “Esses números refletem não apenas a confiança dos países árabes na qualidade dos produtos brasileiros, mas também a sua capacidade de atender às necessidades de um mercado tão vibrante”, disse Lula.

Ele atribuiu esse crescimento à confiança dos países muçulmanos na qualidade dos produtos brasileiros e na capacidade das empresas brasileiras de atender às necessidades de um mercado tão vibrante.

O Brasil emergiu como uma potência da carne halal

O Brasil se tornou o maior exportador de carne halal através de uma combinação de fatores, incluindo apoio governamental, inovação da indústria e adesão aos padrões de certificação halal.

O Brasil, um dos principais exportadores de carne halal, tem sido apoiado pelo governo desde a década de 1960 e os recursos do país provenientes de grupos de imigrantes têm sido usados ​​para desenvolver um setor halal moderno da indústria. Os alimentos halal do Brasil foram introduzidos pela primeira vez em 1976, quando 650 toneladas de frango foram enviadas para a Arábia Saudita e o Kuwait.

A adesão aos padrões Halal para exportação para o Oriente Médio e alguns países africanos é realizada no Brasil por Centros Islâmicos Brasileiros confiáveis ​​e agências certificadoras como a FAMBRAS Halal. Este processo foi apoiado por regulamentação governamental, pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira (ABCC) local, pela Associação Nacional dos Produtores de Aves e pela comunicação regular com as autoridades religiosas dos principais países importadores para garantir a validade do certificado e a formação adequada do brasileiro. . Estudiosos muçulmanos. Em 2014, cerca de 44% das exportações brasileiras de aves eram rotuladas como halal e, na segunda década do século atual, o Brasil havia se tornado o principal exportador mundial de carne halal.

Hoje, o Brasil é um fornecedor líder de proteína animal halal para 57 países de maioria muçulmana no mundo, bem como para comunidades islâmicas em outros países. O aumento nas vendas de carne bovina, aves e subprodutos brasileiros aos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) em 2022, totalizando 5,328 bilhões de dólares, reflete a forte presença do país no mercado de alimentos da região.

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O fator Brasil

O agronegócio brasileiro é talvez o mais competitivo do mundo. O Brasil tem um clima favorável à agricultura, vastas reservas de água e terras aráveis.

“Na década de 1970, o governo brasileiro criou institutos de pesquisa que implementam técnicas de correção de solo, adaptando cultivares às diferentes regiões e climas do país e ao melhoramento contínuo das raças pecuárias e avícolas que sustentam recordes contínuos de produção”, disse Tamer Mansour. – disse ao Gateway o general Salam, da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (ABCC).

Mansour atribui o sucesso do Brasil às suas relações diplomáticas com o mundo islâmico, baseadas no diálogo e no não confronto, cruciais para que os produtos brasileiros tenham boa reputação entre os consumidores árabes e outros consumidores muçulmanos.

“As empresas da cadeia de produção de proteínas têm conseguido continuar a servir os seus clientes no GCC durante décadas sem interrupções, nos volumes necessários, a preços acessíveis, seguindo os padrões e certificações exigidas, incluindo Halal, apesar da pandemia de Covid-19. “

Uma das melhores coisas da relação comercial entre o Brasil e os países do CCG é a complementaridade. Por um lado, o Brasil é um importante fornecedor de alimentos para a região, desempenhando um papel fundamental na segurança alimentar dos milhões de árabes que vivem no Golfo. Por outro lado, a GCC é um dos principais fornecedores de fertilizantes para o mercado brasileiro, vitais para a competitividade do setor econômico mais importante do Brasil, o agronegócio brasileiro, e os grãos produzidos são então utilizados para alimentar frangos Halal.

“Muito poucos países têm uma relação comercial bilateral que seja muito benéfica para ambos os lados”, disse Mansoor.

Além disso, os fundos de investimento do GCC têm participações significativas em empresas brasileiras do agronegócio. Estas bolsas estão a evoluir para incluir segmentos halal, como a recente joint venture entre a BRF do Brasil e a Halal Products Development Company (HPDC) da Arábia Saudita, uma subsidiária do fundo soberano do Reino, o Fundo de Investimento Público (PIF).

A JBS, empresa líder global em alimentos à base de proteínas e controladora da Ciara, outra empresa brasileira, tem grande presença no GCC. A JPS está atualmente construindo uma fábrica em Dammam e outra unidade em Jeddah. Assim que a unidade de Jeddah entrar em operação, a JBS quadruplicará sua capacidade atual de 40 mil toneladas métricas de produtos processados ​​de aves por ano na Arábia Saudita.

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“As estatísticas Halal continuarão a crescer e pretendemos continuar a crescer com o mercado Halal como um dos principais fornecedores para esse crescimento”, disse Marcelo Siegmann, diretor de exportações da Seera, ao Salam Gateway.

Desafios

Segundo a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (FAMBRAS), existem aproximadamente 1,5 milhão de muçulmanos no Brasil.

“Considerando que o Brasil é um país não muçulmano, um dos desafios enfrentados pela certificação halal no Brasil é a rejeição do mercado e do conceito de halal”, disse o vice-presidente da FAMBRAS, Ali Hussain El Choqbi Salam, ao Gateway.

Ele disse que muitas empresas brasileiras não sabem o que é a certificação Halal e só a buscam quando há necessidade do cliente.

Embora o Brasil seja o maior exportador de alimentos halal do mundo, apenas algumas empresas fazem parte desse mercado, com grandes players dominando o cenário. Outro desafio, diz El Chogbi, é encontrar trabalhadores especializados para processos halal, por exemplo, matadouros muçulmanos para abater animais ou supervisores muçulmanos para inspecção.

“Uma forma de superar esse desafio é por meio de joint ventures com organizações que apoiam refugiados, e muitos dos que buscam asilo no Brasil, por meio da FAMBRAS, encontram trabalho no mercado halal”, disse.

Outro desafio enfrentado pelas empresas brasileiras é a cadeia de suprimentos e o desafio operacional.

Segundo Tamer Mansour, da ABCC, o tempo médio de trânsito do Brasil até a região do GCC é de 45 dias. As rotas mais longas que saem dos portos brasileiros passam por portos europeus, e só depois atravessam o Mediterrâneo até o Canal de Suez, atravessando o Mar Vermelho e chegando ao Golfo.

“Já há algum tempo tentamos viabilizar rotas marítimas diretas entre o Brasil e o Golfo, integrando embarques regulares de cargas para a região para justificar a estrutura das linhas. Esperamos ter sucesso nesse objetivo em um futuro próximo”, Mansour disse.

Projeto Halal Brasil

Lançada em setembro de 2022 pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira e pela Apex Brasil, a iniciativa Halal Brasil ou Halal Brasil busca incentivar as empresas de alimentos e bebidas no Brasil a obterem a certificação Halal e entrarem no lucrativo mercado muçulmano.

“Desde o início do projeto, organizamos feiras de alimentos halal na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Malásia, Alemanha e Indonésia com empresas brasileiras”, disse Mansoor Salam ao Gateway.

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O programa auxilia compradores de países muçulmanos a realizar rodadas de negócios com empresas brasileiras e visitar empresas com programas estruturados e com interesses pré-mapeados de ambos os lados.

“A Halal do Brasil buscou incentivar as empresas brasileiras a investirem na certificação de alimentos processados, com o objetivo de atender justamente à demanda que encontramos nos países do CCG e em outros mercados muçulmanos. 300 empresas, algumas das quais já possuem seus produtos com certificadoras Halal brasileiras, e estão em andamento negociações para certificação.

As ações do Halal do Brasil terão duração de 36 meses, após os quais os resultados do projeto serão avaliados conjuntamente, renovados ou ampliados pela ApexBrasil e ABCC.

Na perspectiva das empresas brasileiras, a certificação Halal é essencial para acessar os mercados muçulmanos e, sobretudo, para conquistar a confiança do consumidor. Se há algo que as empresas brasileiras precisam proteger é a confiança que conquistaram entre os consumidores muçulmanos em relação à qualidade de seus produtos e ao seu status halal.

Para garantir isso, a ABCC está trabalhando com certificadoras brasileiras e uma empresa especialista em blockchain para desenvolver um sistema de rastreabilidade que ligue uma embalagem na prateleira de um supermercado em um país muçulmano a um animal no Brasil. A fazenda onde morava, o manejo que recebia, o abate e processamento no matadouro e utilizado no produto com informações sobre logística de exportação até a casa do consumidor.

“Os consumidores muçulmanos querem este nível de detalhe e transparência, que estamos a trabalhar para fornecer”, disse Mansoor. Ele disse que grandes empresas de proteína animal como BRF, Seara, Minerva contribuíram para consolidar a imagem dos produtos brasileiros no GCC como de alta qualidade, confiáveis ​​e certificados Halal.

“Agora, estamos usando essa reputação para inserir outros produtos halal do Brasil nesses mercados”.

Ele acredita que o Brasil pode atuar em muitas áreas como cosméticos, moda, entretenimento e turismo, nas quais o país tem participação nas exportações para a OIC, mas ainda é pequena.

“No entanto, para conseguir isso, o Brasil deve avançar na padronização dos processos de produção e na certificação de que estão em conformidade com o halal”, disse ele.