Setembro 26, 2021

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Trabalhadores trans quebram barreiras no Brasil

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Rio de Janeiro (AFP)

Há 15 anos, Rochelle Rangel, agora com 34 anos, luta para encontrar um emprego formal no Brasil. Como mulher transgênero, ela enfrentou repetidas rejeições e insultos, e um possível empregador pediu que dissesse: “Não podemos contratar um travesti.”

Apesar de seu diploma de ensino médio em gestão executiva, ela trabalhou como prostituta por seis anos e também foi cabeleireira.

No ano passado, graças a um número crescente de programas de treinamento voltados para pessoas trans no luxo popular e gay no Brasil, ela finalmente conseguiu uma colocação formal em um bar no Rio de Janeiro.

“É difícil chegar aqui”, disse ele à AFP.

Em 2020, 175 pessoas trans foram mortas no Brasil – uma vez a cada dois dias. O Brasil tem o maior número de mortes de transgêneros no mundo desde 2008.

Cerca de 90 por cento das pessoas trans no Brasil trabalham como prostitutas, de acordo com a Antra Cure Rights Association.

A expectativa de vida das pessoas trans no Brasil é de cerca de 35 anos, menos da metade da média nacional.

Wrangle, que foi identificada como transgênero desde a adolescência, também disse que quando estava procurando por seu longo e infrutífero emprego, ela tomava hormônios femininos e se vestia de mulher. Mas ela não podia mudar legalmente seu nome de nascimento masculino.

“Fiz mais de 200 entrevistas de emprego, mas quando eles reiniciaram minha identidade (procurando) e viram meu nome, olharam para mim como uma página ou disseram que a vaga já havia sido preenchida.”

– ‘Aumento rápido’ –

Em 2004, calouro do colégio, candidatou-se a um cargo de gerência em uma empresa multinacional de São Paulo, onde residiu e selecionou.

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Seu único concorrente era um jovem que conseguiu o emprego.

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“Ouvi um gerente dizer a um funcionário de recursos humanos:‘ Não podemos contratar um travesti ’”, lembrou Wrangle.

Depois de muitas decepções ele se mudou para o Rio e descobriu um projeto chamado Transcarcon, da Universidade Federal para colocar transexuais para trabalhar em bares e restaurantes.

De acordo com Wrangle, a oportunidade surgiu em seu bar da polia, onde ele agora trabalha com outras mulheres.

A plataforma Transcarcone, lançada em 2019, também oferece treinamento e assessoria aos empregadores para lidar com questões LGBTQ +.

Nasceu em São Paulo o maior canteiro de empregos para transgêneros do Brasil: a TransEmbrecos conseguiu 707 vagas no ano passado, diz Márcia Rocha, advogada e travesti criadora.

“Temos mais de 24.000 currículos e mil empresas relacionadas”, disse ele à AFP.

“Tem havido um rápido aumento no número de empresas que contratam pessoas trans; são mais de uma centena de empresas multinacionais com vagas disponíveis”, disse Rocha.

É um recurso útil em 212 milhões de países – 14 milhões deles desempregados – e um setor de serviços gravemente afetado pela epidemia do vírus corona.

– Acabando com o preconceito –

O progresso tem sido lento para Wrangle e outros como ela.

“Partia-se do pressuposto de que as pessoas trans só poderiam atuar como prostitutas. O maior desafio era quebrar esse preconceito no meio empresarial”, explica Rocha.

A TransEmbrecos é membro do Fórum Brasileiro de Negócios e Direitos LGBTQ +, um grupo de mais de 100 empresas que assinaram o Pledge of Allegiance.

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Ao contrário de países como a Argentina, que têm disposições legais para pessoas trans no setor público, o Brasil não tem proteção.

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Pessoas trans puderam escolher seu nome em seus documentos de identidade sem permissão do tribunal, uma carta de um psicólogo ou prova de que eles só fizeram terapia hormonal nos últimos três anos.

“Somos uma porcentagem da população brasileira … mas estamos lá mesmo que eles queiram que sejamos invisíveis”, disse Andrea Brazil, designer e criadora de outra empresa trance, a Capacitrans.