Maio 22, 2024

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O apoio da ‘bioeconomia’ ao desenvolvimento sustentável na Amazônia está crescendo

O apoio da ‘bioeconomia’ ao desenvolvimento sustentável na Amazônia está crescendo

Se tudo correr conforme o planejado, dentro de algumas semanas as pessoas estarão tomando um shake que Marcelo Salazar vem desenvolvendo há três anos, feito com a cornucópia da floresta amazônica.

Sua empresa, Mazo Mana Forest Food, faz parceria com comunidades que vivem na floresta e coleta castanhas-do-pará, grãos de cacau, açaí, cogumelos, frutas e outros ingredientes usados ​​em bebidas. Para combater uma economia baseada na exploração madeireira e na pecuária, eles receberam algum apoio de uma incubadora de empresas em Manas que se concentra em negócios florestais sustentáveis.

“Acho que precisamos de uma nova geração de iniciativas que combinem diferentes modelos de negócios para virar o jogo”, disse Salazar.

Na Cimeira da Amazónia, realizada em Belém, no início de Agosto, os decisores políticos manifestaram a sua vontade de proteger a floresta tropical e proporcionar meios de subsistência a dezenas de milhares de residentes da floresta tropical, esperando que tais esforços sustentáveis ​​possam fazer parte de uma nova “bioeconomia”.

Mas, para além do apoio geral ao conceito, há pouco consenso sobre como deveria ser uma bioeconomia. Salazar falou no “Desafio para Criar uma Bioeconomia Amazônica” organizado pelo Ministério do Meio Ambiente do Brasil.

A ideia não é nova. É o termo mais recente para meios de subsistência sustentáveis ​​ou desenvolvimento sustentável ou economia verde. Existem exemplos de pequeno e médio porte em toda a Amazônia.

Além da castanha-do-pará e da colheita de açaí, as pessoas fazem chocolate com cacau nativo. A pesca sustentável de um dos maiores peixes de água doce do mundo proporcionou às comunidades ribeirinhas uma alternativa à exploração madeireira. A produção de tênis para os parisienses da moda devolveu a esperança a uma comunidade de seringueiros que trabalhavam à beira da obsolescência com o advento da borracha sintética.

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“O desafio é a escala”, disse o governador do Pará, Helder Barbalho, em entrevista à margem da cúpula. Acredita-se que seu estado seja o único do Brasil com um verdadeiro plano de bioeconomia. O Pará é o maior produtor de açaí do Brasil, embora sua economia seja fortemente dependente das exportações de minério de ferro para a China. As terras do Pará foram convertidas em pastagens para 27 milhões de cabeças de gado e emitem mais gases de efeito estufa do que qualquer país amazônico, exceto o Brasil.

Mas quando se trata de grandes empresas sustentáveis, existem poucas histórias de sucesso. Um bom exemplo é a empresa de cosméticos Natura, que há duas décadas lançou uma linha de produtos com ingredientes provenientes de comunidades tradicionais amazônicas e da agricultura familiar.

Cultivar essas relações exige paciência e pesquisa, afirma Priscilla Matta, gerente sênior de sustentabilidade da Natura.

Quando a empresa começou, a população local cortou árvores de iúcuba para fazer vassouras. Ao manter as árvores em pé e vender as sementes para a Natura, triplicaram a renda. É um dos dezenas de ingredientes de base biológica da Natura que ajudam a empresa a contribuir para a conservação de mais de 2 milhões de hectares (cerca de 7.700 milhas quadradas) de floresta.

Cerca de 8% do que a Natura gastou com insumos brutos no ano passado foi para Bioingredientes da Amazônia. Pertencem a 41 comunidades – onde vivem 9.120 famílias – que receberam cerca de 9 milhões de dólares em 2022, parte dos quais dinheiro direto para sustentar as florestas.

O discurso da bioeconomia pode estar caminhando para o céu. Falando aos repórteres na cúpula da Amazônia, a ministra do Planejamento e Orçamento do Brasil, Simone Tebet, disse que administrar uma economia vibrante e ao mesmo tempo sustentar as florestas é “nosso sonho, mas os sonhos devem se tornar realidade”.

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“Os bancos estão interessados”, disse Debbett. “Imagine grandes indústrias sem fotografia, boas indústrias, enraizadas nos estados amazônicos… todas aprendendo com as tribos de onde vêm.”

O plano de bioeconomia do Estado do Pará tem um tom utópico semelhante: “A floresta amazônica é como uma vasta biblioteca de conhecimento e sabedoria ainda a ser descoberta”, afirma.

O projeto nomeado é exclusivo para 43 produtos florestais exportáveis, incluindo açaí, cacau, mandioca, pimenta, espécies de peixes e óleos essenciais para cosméticos.

O Pará começou a construir um campus para servir como incubadora de bioeconomia para pesquisadores e start-ups, com conclusão prevista para antes da capital do estado, Belém, sediar a conferência climática global de 2025. O Banpara, o Banco Público do Pará, lançou um esquema de empréstimos subsidiados para pequenos agricultores que desejam desenvolver sistemas agroflorestais.

“Podemos equilibrar o espetáculo das florestas vivas com as pessoas sendo cuidadas e vistas”, disse Barbalho em entrevista.

O estado vizinho do Amazonas está desenvolvendo um projeto de bioeconomia com financiamento da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional.

O governo central também começou a ir além das meras palavras. Este mês, o ministro da Economia do Brasil, Fernando Haddad, anunciou um plano de reforma ambiental. Propõe o uso do financiamento climático para apoiar projetos de sustentabilidade e definir as regras para o mercado de carbono do Brasil.

Mas alguns esforços anteriores revelaram armadilhas.

Uma fábrica estatal de preservativos na cidade amazônica de Sapuri, inaugurada em 2008 durante o governo anterior do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deveria fornecer um mercado para centenas de famílias de seringueiros que viviam na região onde o falecido líder ambientalista Chico Mendes foi morto. Após 10 anos, a fábrica fechou após o fim dos subsídios federais. A população local recorreu à pecuária e hoje a área está em um ponto alto de desmatamento.

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Os grãos de cacau são outro conto de advertência. É uma forma de permitir que as florestas voltem a crescer onde foram derrubadas, mas o seu apelo em locais como a Costa do Marfim e o Gana significa uma desflorestação maciça para dar lugar a árvores mais lucrativas.

Salazar, CEO da empresa de agitadores de selva Mazo Mana, vê sua empresa como uma empresa com mentalidade social e conhecedora do mercado. Aloca quase 10% do capital às associações comunitárias parceiras e a fabricação ocorre localmente para agregar valor e desenvolver experiência.

Salazar acredita que as empresas sustentáveis ​​que tenham sucesso e cresçam com a missão de resolver os problemas da Amazônia farão a mudança em direção a uma economia que reconheça o valor das florestas.

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O repórter da Associated Press Fabiano Maisonau contribuiu de Belém.

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