Agosto 16, 2022

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No Brasil, satélites ajudam cientistas a zona de desmatamento na Amazônia

MapBiomas visa acabar com a ‘impunidade’ por desmatamentos ilegais e responsabilizar os responsáveis

Por Fábio Teixeira

RIO DE JANEIRO, 6 de abril (Thomson Reuters Foundation) – Um grupo de pesquisadores brasileiros usando dados de satélite para rastrear o desmatamento ilegal está em uma missão para atingir os responsáveis ​​onde dói – no bolso.

O projeto de mapeamento MapBiomas está trabalhando com governos estaduais, promotores e até mesmo o Banco do Brasil, controlado pelo Estado, para sinalizar desmatamentos ilegais e responsabilizar os culpados com consequências, incluindo multas, ações judiciais e recusas de empréstimos.

“Estamos tentando negar (dos desmatadores) o acesso ao sistema bancário”, disse Marcos Rosa, coordenador técnico da rede, à Thomson Reuters Foundation em entrevista por telefone.

O Brasil, que detém mais da metade da floresta amazônica, bem como a vasta savana do Cerrado, está na linha de frente da luta contra o aquecimento global.

Conter o crescente desmatamento na Amazônia é vital para evitar impactos descontrolados das mudanças climáticas por causa da grande quantidade de dióxido de carbono que aquece o planeta absorvido pelas árvores da floresta.

O presidente de extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro, enfraqueceu as proteções ambientais desde que assumiu o poder em 2019, e o desmatamento aumentou, dizem especialistas.

MapBiomas – uma rede de cientistas, organizações sem fins lucrativos, universidades e empresas de tecnologia – está monitorando o uso da terra e ajudando a identificar infratores publicando mapas públicos mostrando a cobertura florestal, uso da água, locais de mineração e muito mais.

Na quarta-feira, recebeu um prêmio de US$ 1,5 milhão da Fundação Skoll, que apoia mudanças sociais e negócios para o bem. A Skoll Foundation é parceira de financiamento da Thomson Reuters Foundation para sua cobertura de economias inclusivas.

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Na parceria do MapBiomas com o Banco do Brasil, os proprietários de terras onde é detectada a perda de árvores são sinalizados pelo banco como potenciais desmatadores, disse Rosa.

O alerta vai para todas as agências do banco. Se o desmatador em potencial posteriormente buscar um empréstimo agrícola, ele terá que fornecer um documento que comprove que o desmatamento foi legal.

O MapBiomas também fornece dados sobre desmatamento para promotores federais, secretários estaduais de meio ambiente e grandes empresas brasileiras, disse ele.

Algumas autoridades locais estão emitindo multas com base nos dados e outras estão iniciando investigações e processos judiciais.

“O que queremos é acabar com a sensação de impunidade. Se alguém desmatou, tem que ser público e disponível”, disse Rosa.

AUMENTANDO A TRANSPARÊNCIA

O MapBiomas é colaborativo e apolítico, disse Rosa, mas acrescentou que durante a presidência de Bolsonaro, os acordos de parceria que a rede tinha com o governo federal e órgãos caducaram e não foram renovados.

“À medida que o governo diminui a transparência dos dados… o MapBiomas ganha importância”, disse.

O governo brasileiro não respondeu a um pedido de comentário.

Muitos dos estudos do projeto abordam questões de manchete, como um incidente no ano passado, quando navios ilegais de mineração de ouro ultrapassaram uma das principais hidrovias da Amazônia no Brasil, o rio Madeira.

Por meio de imagens de satélite, o MapBiomas mostrou que cerca de 150 embarcações estavam lá por quase um mês antes de a Polícia Federal do Brasil iniciar uma operação para desmantelá-las.

Os estudos também acompanham tendências maiores. No mês passado, um mostrou como entre 1985 e 2020 houve uma redução de 16% na área coberta por água no Brasil, um dado preocupante para um país conhecido por ter água em abundância.

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Embora mais conhecido no Brasil, o MapBiomas está executando projetos semelhantes em quase todos os países da América do Sul e na Indonésia, trabalhando em parceria com cientistas locais.

Os líderes do projeto esperam expandir seu trabalho para o Chile, fornecendo tecnologia e treinamento para os cientistas do país começarem a monitorar os dados da terra.

“Até o final do ano, esperamos ter o MapBiomas Chile”, disse a coordenadora científica Julia Shimbo.

“Queremos ter ciência colaborativa não apenas dentro da academia, mas fora da academia, com o setor privado, o setor público e a sociedade civil”.

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(Reportagem de Fabio Teixeira @ffctt; Edição de Sonia Elks e Helen Popper. Dê crédito à Thomson Reuters Foundation, o braço beneficente da Thomson Reuters, que cobre a vida de pessoas ao redor do mundo que lutam para viver de forma livre ou justa. Visite http: //news.trust.org)

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