Agosto 16, 2022

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Brasil muda para chave de estrada de desmatamento

RIO DE JANEIRO (AP) – Em uma decisão que os críticos classificaram como arriscada, o governo brasileiro concedeu aprovação ambiental preliminar para construir uma estrada de terra através de uma das áreas mais protegidas da floresta amazônica.

A estrada, conhecida como BR-319, tem cerca de 900 quilômetros e é a única rodovia que liga Manas, com 2,2 milhões de habitantes, aos maiores centros urbanos do país ao sul. Metade da extensão da BR-319 ainda não é pavimentada, e esse trecho costuma ficar intransitável durante a estação chuvosa, que dura até três meses. Esse inconveniente mantém os madeireiros afastados.

Pesquisadores e ambientalistas argumentam que o corredor levará à destruição maciça da floresta tropical intocada, com a maior parte do desmatamento da Amazônia ocorrendo perto de estradas onde o acesso é fácil e os valores da terra são altos. Na verdade, já está em andamento antes do início da pavimentação.

“As medidas de aplicação da lei são insuficientes para evitar invasões ilegais, invasões, desmatamento, especulação de terras e pressões que aumentaram exponencialmente nos últimos anos”, disse Fernanda Meirelles, secretária executiva do Observatório BR-319, à Associated Press.

O licenciamento preliminar é uma parte importante da aprovação final do projeto, uma vez que passa por peneiras econômicas e ambientais. Mas o trabalho de asfalto ainda não começou. A agência ambiental brasileira Ibama impôs várias condições a um grupo indígena, incluindo a criação de uma área de conservação, monitoramento da qualidade da água nas proximidades e um projeto arqueológico.

Mas a agência diz que o “principal problema é a explosão do desmatamento na região”, disse o ex-presidente do IPA Sully Araujo à AP.


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As condições estabelecidas na licença não foram suficientes para garantir que o desmatamento não aumentasse, então não deveria ter sido emitida, disse Araujo, agora especialista sênior em políticas públicas da Climate Watch, uma rede de grupos ambientalistas.

O presidente Jair Bolsonaro, que está em campanha pela reeleição, comemorou a aprovação em sua conta no Twitter, dizendo que era mais um exemplo de um projeto de infraestrutura que avança sob sua supervisão, e disse que o corredor ajudaria a manter o trânsito no interior do país.

“Os brasileiros estão acostumados com carros e caminhões presos na rodovia PR-319”, escreveu ele, junto com um vídeo mostrando lama profunda na estrada. “Desta vez, felizmente, está chegando ao fim.”

Depois que Bolsonaro prometeu repetidamente construir a BR-319, a área em torno dela se tornou um grande hotspot de desmatamento na Amazônia brasileira pela primeira vez este ano, segundo dados oficiais.

O Observatório BR-319, uma rede sem fins lucrativos que inclui WWF Brasil, Greenpeace Brasil e Integração de Organizações Indígenas, diz que as comunidades locais não foram consultadas sobre o projeto, conforme exigido por lei.

“Os direitos dessas pessoas foram violados”, disse Meirelles. ___

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