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BCA fica ‘excesso de peso’ no Brasil à medida que mais investidores ficam otimistas com Lula

O ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva fala no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), em São Bernardo do Campo, Brasil 29 de janeiro de 2022. REUTERS / Carla Carniel

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BRASÍLIA, 10 Fev (Reuters) – Uma nota de pesquisa canadense chamando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de um possível “salvador” da lenta economia do Brasil alimentou o debate nos mercados financeiros sobre investidores estrangeiros cada vez mais otimistas que buscam um retorno do líder de esquerda .

Analistas do BCA Research elevaram sua recomendação sobre ações brasileiras e dívida soberana para “sobrepeso” em nota publicada esta semana, com base nas “probabilidades crescentes” de Lula vencer as eleições presidenciais em outubro.

“As atuais propostas de política de Lula e sua agenda após a eleição serão moderadas, dando um impulso positivo aos mercados financeiros”, escreveram os analistas do BCA, liderados pelo estrategista-chefe de Mercados Emergentes Arthur Budaghyan, em uma nota intitulada “Lula é o Salvador do Brasil?”

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A perspectiva é de que os fluxos estrangeiros para os mercados financeiros brasileiros tenham subido para US$ 9,5 bilhões até agora este ano, impulsionando a moeda local em 7% em relação ao dólar, enquanto o índice de ações Bovespa (.BVSP) de referência subiu 8%.

Muito disso veio da crença entre os investidores globais de que Lula, que tem uma vantagem de dois dígitos sobre o presidente de direita Jair Bolsonaro em pesquisas de opinião recentes, adotará uma abordagem pragmática da política, como proeminentes gestores de fundos de hedge brasileiros sinalizaram durante um evento na semana passada.

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Enquanto muitos investidores domésticos lamentam o fim da agenda de reformas que Bolsonaro prometeu ao assumir o cargo, os investidores estrangeiros se consolam com as lembranças das políticas econômicas ortodoxas que Lula adotou no início de sua presidência de 2003-2010.

“O principal candidato nas pesquisas tem uma imagem internacional positiva. Ele não é desconhecido, é um candidato que foi tentado”, disse Gabriel Galipolo, ex-presidente do Banco Fator e sócio-diretor da Galipolo Consultoria.

Ele destacou que o Brasil é um dos vários mercados emergentes levantados nas últimas semanas por investidores que estão saindo do setor de tecnologia dos EUA em direção a outros ativos de alto rendimento. As taxas de juros brasileiras também subiram para dois dígitos à medida que o banco central combate a inflação agressivamente, o que também atraiu fluxos financeiros.

Outro economista-chefe de um banco brasileiro disse à Reuters que as propostas de Lula para reacender o crescimento com investimentos públicos e programas sociais mais generosos podem até ser boas para a economia.

A formulação de políticas sob Bolsonaro tem sido dividida ultimamente entre um ministro da Economia com a intenção de disciplina fiscal e aliados no Congresso ansiosos para gastar em projetos de barril de porco. Em contrapartida, Lula provou ser um negociador ágil no Congresso.

“Um governo Lula também teria mais capacidade de movimentação entre parlamentares”, disse o economista, pedindo anonimato para evitar contragolpes políticos.

No entanto, mesmo os investidores mais otimistas reconhecem o desafio nos próximos anos de estabilizar os níveis da dívida pública, que agora se situam em 80,3% do produto interno bruto.

“No longo prazo, as chances são de que o governo Lula tente ‘inflar sua saída da dívida'”, disseram os analistas do BCA aos clientes. “Portanto, nossa estratégia de longo prazo no Brasil permanece intacta: ações compradas, mas hedge de risco cambial.”

Reportagem de Marcela Ayres; Edição por Brad Haynes, Alexandra Hudson

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